A Escolha de Arão para o Sumo Sacerdócio

Estudos Bíblicos06 Março, 2015Por Israel do Nascimento Silva


No Êxodo 28, começamos a encontrar diversos textos que anunciam a elevação do status de Arão para o honroso Ministério Sacerdotal, e com ainda mais honra ao ser consagrado como כהן גדול Kohen Gadol, o Sumo Sacerdote.

Moisés é ordenado por Deus realizar vários rituais afim de providenciar a separação do seu irmão Arão, bem como a sua santificação para este ofício eterno, que se estenderia aos seus filhos, à sua descendência.

"Depois tu farás chegar a ti teu irmão Arão, e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal; a saber: Arão, Nadabe, e Abiú, Eleazar e Itamar, os filhos de Arão." Êxodo 28:1

E se observarmos bem este trecho do texto Bíblico, também conhecido em hebraico como parashá Tetzaveh, veremos que falta uma informação crucial para a escolha de Arão e seus descentes para o Ministério do Sacerdócio.

Em que mérito Arão foi selecionado para receber esta honra? O que Arão teria feito para merecer ser proclamado Sumo Sacerdote? Nenhuma explicação é dada. Não há uma justificativa clara no texto.

Em princípio, se levarmos em conta a história de Arão e Moisés, sentimos muito mais que Moisés é quem mereceria esta honra do Sacerdócio, do que Arão. Moisés era uma homem da verdade e da justiça, e buscava a justiça a todo custo.

Moisés não se omitiu quando um dos seus irmãos Israelitas estava sendo castigado ao ponto de morte, por um detrator Egípcio. Antes, Moisés o defendeu e matou o Egípio.

"E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos.

E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia." Êxodo 2:11-12

Moisés também não se furtaria ao ver as filhas de Jetro (que depois veio a ser seu genro), sendo maltratadas por pastores em Midiã:

"E o sacerdote de Midiã tinha sete filhas, as quais vieram tirar água, e encheram os bebedouros, para dar de beber ao rebanho de seu pai. Então vieram os pastores, e expulsaram-nas dali; Moisés, porém, levantou-se e defendeu-as, e deu de beber ao rebanho." Êxodo 2:16-17

Moisés era realmente um exemplo de homem justo e fiel, e dele o próprio Deus deu testemunho, "Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor" Números 12:7-8

a escolha de arão para o sacerdócio A Consagração de Arão como Sumo Sacerdote.



O Mérito de Arão para o Sacerdócio

Agora se observarmos a vida de Arão, veremos que ele não tinha toda a perfeição que havia em Moisés, o seu irmão mais novo. Arão que nesta mesma passagem citada acima, tinha se atrevido a falar contra Moisés e até mesmo a usurpar o seu lugar na condição de líder de Israel.

Arão que também havia permitido e participado do horrível episódio do pecado coletivo que ficou conhecido como עגל הזהב egel hazahav - o bezerro de ouro, onde os filhos de Jacó fizerem um ídolo dourado, um bezerro, e o adoraram.

Com isso, onde estaria a qualificação de Arão para um Ministério considerado tão Santo e tão Sagrado como o do Sacerdócio Levítico? Por mais que pareça contraditória, a resposta é que a fraqueza que o desqualifica é a mesma que o torna apto para esta elevada missão.

Para entendermos isso, temos que voltar na história do Êxodo, quando Moisés ao descer do monte Sinai após quarenta dias e quarenta noites, encontrou Arão e o povo festejando a adoração ao bezerro de ouro. Moisés indignado, quebra as Tábuas da Lei de Deus.

"E aconteceu que, chegando Moisés ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se-lhe o furor, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte;" Êxodo 32:19

As Tábuas do Testemunho

O fato é que a Tradição Oral, passada de pai para filho pelos Judeus, ensina que mesmo Moisés tendo feito outras Tábuas sobre as quais Deus voltaria a escrever os Dez Mandamentos, ainda assim, as primeiras, que foram quebradas, não foram descartadas. Elas também teriam sido colocadas na Arca da Aliança.

Esse acontecimento é muito importante para a compreensão da escolha de Arão. Como Sumo Sacerdote, Arão só poderia entrar no lugar chamado Santo dos Santos, apenas uma vez ao ano, no יוֹם כִּפּוּר Yom Kippur, o dia do Perdão, quando deveria oferecer um sacrifício para o perdão dos pecados de si mesmo, e também de todo o povo.

E o que é o Yom Kippur? O Dia do Perdão não é um dia comum. Não é um dia de "justiça", nem da "verdade" como costumamos entender esses atributos. Yom Kippur é um dia de Arrependimento e Perdão.

Neste dia, a verdade e a justiça nua e crua (como a de Moisés), é superada em muito pela misericórdia de Deus. E os fragmentos das primeiras Tábuas da Lei, juntamente com as segundas Tábuas (estas inteiras) formam pares importantíssimos para se compreender a Teshuvá - o Arrependimento.

As primeiras Tábuas da Lei foram quebradas por Moisés em um ato de ira, de consequência contra o pecado. As segundas לוחות luhot (tábuas), foram talhadas por Moisés e depois escritas pelo dedo de Deus - o resultado da interação humana com o Perdão Divino.

Era isso que Arão e seus descendentes viam quando entravam no Santo dos Santos: as Tábuas quebradas - que traziam para Arão uma mensagem única sobre arrependimento; e as Tábuas inteiras.

As Tábuas quebradas são como um coração quebrantado: cada vez que Arão entrava no Santo dos Santos, ele deveria se sentir arrependido pelo pecado da adoração ao bezerro de ouro, que levou à quebra dessas Tábuas.

Como seria diferente se Moisés é que fosse sido o escolhido para ser o Sumo Sacerdote!? Moisés, em sua "perfeição", diria a Deus: "Perdoe o Seu povo, oh Todo Poderoso, pois ELES tem pecado!"

Já com Arão, certamente com a visão das Tábuas quebradas, ele se lembraria de si mesmo e pediria: "Perdoe-nos oh Santo dos Santos, pois EU tenho pecado, pois nós temos pecado!"

Deus escolheu Arão porque ele era o único que teria a habilidade de compreender, de entender a fraqueza e a condição de pecador, que era comum a todos os homens, e de compreender a grandeza do Perdão recebido.

Porque Deus não veio chamar os justos, os perfeitos, os santos, os aperfeiçoados. Ele veio para os "doentes", veio chamar os pecadores ao arrependimento. Essa é a mensagem que a escolha de Arão para o Sacerdócio nos fala:

"Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu nào vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.

Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.

Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.

O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!

Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado. Lucas 18:10-14



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