Moisés e a Aliança Entre Deus e o Povo de Israel

Estudos Bíblicos13 Julho, 2014Por Israel do Nascimento Silva


A aliança, também chamada de בְּרִית brit, entre Deus e o povo de Israel não foi a primeira. O Senhor já havia feito anteriormente uma aliança com Noé e, através dele, com toda a humanidade.

A segunda, foi feita com Abraão e era simbolizada pela בְּרִית מִילָה brit milah - Aliança pela Circuncisão. Esses dois primeiros concertos foram muito importantes para a história da fé, mas não foram totalmente recíprocos, uma vez que Deus não esperou por uma resposta da parte desses patriarcas.

No Sinai, a Aliança com o povo de Israel foi marcada de uma forma diferente. Pela primeira vez Deus queria que este pacto fosse celebrado de forma totalmente recíproca, com a aceitação de ambas as partes.

Na revelação da Lei, Deus manda que Moisés se certifique de que o povo concordaria com o concerto que estava para ser firmado entre Deus e o Seu povo. O ponto fundamental é que Deus quer governar os filhos de Israel, mas por meio do direito e não pela força ou poder.

Deus trouxe o povo e com Suas poderosas mãos os libertou da escravidão do Egito. Ele busca a adoração livre e espontânea de um povo igualmente livre. E Deus envia Moisés com esta questão, aceitariam ou não os filhos de Jacó?

"E subiu Moisés a Deus, e o Senhor o chamou do monte, dizendo: Assim falarás à casa de Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel:

Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a mim;

Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha.

E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel." Êxodo 19:3-6

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Naaseh e Venishmá - O Público e o Íntimo

E é muito interessante analisarmos as palavras das três respostas que os filhos de Israel deram a Moisés, uma antes da Revelação e outras duas após a Revelação no episódio de Mishpatim.

Lemos abaixo a primeira resposta, antes da Revelação da Lei:

"Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o Senhor tem falado, faremos. E relatou Moisés ao Senhor as palavras do povo." Êxodo 19:8

E esta se deu após da Revelação:

"Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do Senhor, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o Senhor tem falado, faremos - נַעֲשֶֽׂה׃ naaseh ." Êxodo 24:3

A terceira foi:

"E tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos - וְנִשְׁמָֽע׃ venishma." Êxodo 24:7

Nas primeiras duas respostas, a palavra que se destaca por seu significado é נַעֲשֶֽׂה׃ naaseh, "faremos". Todo o povo diz "tudo o que Deus tem falado, nós faremos", que tem a clara conotação de ação e obras.

Na terceira, eles usam uma expressão em dobro "tudo o que o Senhor tem falado, nós faremos e וְנִשְׁמָֽע׃ venishma", que significa "ouviremos", "obedeceremos" e "entenderemos".

A palavra וְנִשְׁמָֽע׃ venishma, que está registrada originalmente em hebraico, no final do verso 7, vem da raiz שָׁמַע shamá, que quer dizer "entender", "compreender", assim como nós a vemos no texto que relata a confusão das línguas no episódio da Torre de Babel:

"Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda - יִשְׁמְע֔וּ yishmá - um a língua do outro." Gênesis 11:7

Assim, já podemos ver que há uma clara diferença entre as palavras que o povo fala a Moisés em resposta ao chamado divino para estabelecer a Sua Santa Aliança com o Seu povo.

Nos primeiros dois versículos há uma ênfase na unidade do povo como um todo. As palavras são marcantes "todo o povo respondeu com uma só voz", ou seja "como um". No Êxodo, um livro que mostra o povo de Israel ainda muito dividido, uma declaração dessas de união, "com uma só voz", é muito significante.

O terceiro verso, com essa afirmação em dobro "faremos e venishmá, entenderemos", não há ênfase na unidade. O verso simplesmente declara que eles responderam.

Vemos aqui se formar os dos dois aspectos mais importantes no mundo da fé - Fazer e Crer, Obras e Fé - o paradoxo entre realizar e entender, entre a Lei e a Graça - Entre o público e o íntimo - duas abordagens diferentes das escrituras sagradas.

Essa passagem tem intrinsecamente em seus versos, relação com comunidade e ação. Fala do modo como as pessoas interagem uma com as outras, da forma como trazemos Deus nos aspectos diários da nossa vida em coletividade.

Isso porque nós conhecemos Deus por meio do que Ele fez e faz:

"Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão;" Deuteronômio 5:6

"Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis que EU SOU, e que nada faço por mim mesmo; mas isto falo como meu Pai me ensinou." João 8:28

De igual forma, o Senhor exige que sejamos conhecidos Dele, por meio do que fazemos:

"Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore." Mateus 12:33

Comportamento e Entendimento

É por isso que Deus revelou a Sua Lei, pois a Lei se constituía na arquitetura do comportamento humano. A resposta naaseh, "Faremos", indica comportamento, do qual a Lei tinha o objetivo de mostrar o caminho.

Já a palavra venishmá, "entender", fala de trazer os mandamentos divinos ao nível íntimo do ser. Isto é crer, ter fé.

Este tema é bastante difícil de se entender, mas a bíblia desde os tempos antigos já lançava as bases fundamentais do comportamento humano, tanto para consigo mesmo, como para com os seus semelhantes e para a convivência em comunidade, algo que os Evangelhos tratariam com mais clareza.

Naaseh nos ensina que temos um compromisso de fazer, de servir a Deus com nossas obras. O bom comportamento em sociedade, o amor e a caridade pelo próximo devem ser os mais altos preceitos que devemos buscar nas nossas vidas.

"Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." Efésios 2:10

Porque se apenas confessarmos Deus com a nossa boca, mas as nossas obras demonstrarem o contrário, então de nada adianta, pois a fé sem obras é morta:

"Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta." Tiago 2:26

"Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra." Tito 1:16

Venishmá nos diz que embora nós sirvamos a Deus de forma coletiva, em público com nossas ações, há a real necessidade de também o conhecermos de forma individual, no nosso entendimento. Porque nós só podemos fazer o que fazemos, as nossas boas obras, se crermos em Deus no íntimo do nosso ser.

Caso contrário, cairemos no risco de realizarmos obras frias, recheadas de ações puramente religiosas, sem fé e sem calor.

É ao que Jesus se referia em suas palavras que indicavam equilíbrio entre o público, o exterior e o íntimo do coração:

"Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo." Mateus 23:26

Quando chegamos a esta compreensão, verdadeiramente poderemos chegar ao status de buscar a Deus com todas as nossas forças e com todo nosso entendimento, da forma como Ele mesmo nos ensinou - Naaseh e Venishmá - Fazer e Crer - Obras e Fé - de forma pública e íntima.

"E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo." Lucas 10:27



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