O Cordeiro Pascal e o Pão Sem Fermento

Estudos Bíblicos05 Junho, 2014Por Israel do Nascimento Silva


Deus ordena que os Israelitas fiquem em suas casas, na noite anterior ao Êxodo. E eles, com suas famílias, estão para se servir com o Korban Pesach - o Cordeiro Pascal.

Certamente poderíamos imaginar que os Israelitas, após séculos de escravidão, estariam protestando para que Deus primeiro os libertasse, e depois os mandasse cumprir esse ritual.

Entretanto, os rituais ordenados por Deus, em todos os seus detalhes, sempre transmitem lições específicas e poderosas, cheias de ética e moral. Algumas vezes, estas lições são difíceis de se entender, como no caso do Korban Pesach, o Cordeiro Pascal.

Aqui, verdadeiros tesouros espirituais não podem ser vistos em leituras superficiais, porque estão em uma camada mais profunda. São mensagens essenciais, transmitidas aos Israelitas através do cumprimento de rituais simbólicos.

As primeiras instruções sobre o Korban Pesach são comunicadas a Moisés, no Rosh Chodesh Nisan - o primeiro dia do ano judaico, de acordo com o kidush hachodesh (o ato de se fixar a data do início do mês).

"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.

Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro." Êxodo 12:3-4

O Cordeiro de Deus

A simbologia do Korban Pesach, relatada no texto acima, nos revela três estágios em que o povo de Deus deveria a partir daquele momento estar fundamentado.

  • 1 - "um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família."
  • O primeiro e mais proeminente pilar da sociedade judaica era a unidade familiar.

Muitas nações iniciaram a sua independência com brados e guerras sangrentas, "independência ou morte"... Mas o povo de Deus foi comandado a deixar que o Senhor lutasse as suas guerras e pelejasse e vencesse por eles.

Deus deliberadamente abstém-se de marcar o nascimento da nação Israelita com convenções constitucionais, protestos das massas populares, ou declarações de independência.

Ao invés disso, cada Israelita é ordenado a ir para sua casa, para o seu lar, onde eram esperados para participarem de uma refeição familiar - o Cordeiro Pascal.

Não existe nada tão peculiar, nada que aproxime mais as pessoas, do que o compartilhar de uma refeição. É um ato muito simples, comer juntos, à mesma mesa, mas que possuí uma mensagem poderosíssima, pois fala de comunhão uns com os outros.

Ali, à mesa, é um ambiente propício à troca de experiências, onde a boa conversação pode florescer, onde se tem uma grande oportunidade de se aproximar mais os membros da família, onde todo o ambiente de comemoração favorece a unidade e a real comunhão.

cordeiro pascalO Cordeiro Pascal É Símbolo de Jesus.

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E ao enviar os Israelitas para seus lares como prelúdio do nascimento da nação Israelita, Deus transmite uma simples mas poderosa mensagem: "Ao iniciar esta jornada histórica, parem e reflitam, e marquem esta noite com unidade familiar, que será o ponto chave para o seu sucesso".

A sobrevivência dessa nova nação será diretamente proporcional a força da unidade familiar. Se a família for forte, então será também uma nação forte! E o Korban Pesach - o Cordeiro de Deus, veio para proporcionar a união familiar, para restaurar a família.

"No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." João 1:29

Ceia é Comunhão

E não apenas o núcleo familiar, mas também todos os parentes, amigos e vizinhos irão prosperar. É por isso que Deus continua a proclamação do nascimento do seu povo como nação, com a frase: "um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família";

  • 2 - "Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa..."
  • Expandindo-se para além do núcleo familiar, o mandamento divino chega ao segundo pilar de sustentação do Seu povo, o senso de comunidade.

A família é de uma importância indescritível, porém como povo de Deus não fomos chamados para vivermos isolados. Cada lar é convidado a ir além de suas paredes e muros. Nenhuma família pode celebrar a sua redenção e ignorar a comunidade da qual faz parte.

É preciso chamar os "de fora" a entrar, e celebrar juntos, criando um ambiente comunitário, comunhão e ajuda mútua. Assim reconhecendo as vulnerabilidades e sonhos que compartilhamos com aqueles que habitam ao redor de nós.

Devemos ser movidos a ajudar e assistir à nossa comunidade, para que cada um consiga atingir seus objetivos, bem como os objetivos comum a todos.

Este foi um dos sentidos do estabelecimento da Santa Ceia do Senhor, onde juntos à mesa, a grande família de Deus, constituída pelo Seu povo, um povo fiel, zeloso e de boas obras, podemos repartir o pão, e ao compartilhar deste alimento sagrado temos comunhão uns com os outros e com o Senhor.

"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado." 1 João 1:7
  • 3 - "cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro."

Aqui a Torá está nos advertindo que ninguém pode ignorar o terceiro pilar fundamental da vida em comunhão com o povo de Deus: a responsabilidade individual.

Em grandes famílias, com muitos membros, e em comunidades, há a tendência de se servir como refúgio para aqueles que querem neligenciar a sua parte nas tarefas e obrigações para com o restante da comunidade, afinal há outros que podem fazer o "trabalho duro", "porque então eu deveria fazer?"

Porém cada indivíduo tem uma forma única de contribuir na família, na comunidade ou na igreja, de um modo que é só seu. Temos todos algo de valor incalculável a contribuir, nossa experiência de vida, nossos valores podem acrescentar em muito mais do que imaginamos.

E Deus, simbolicamente neste texto, demanda que o tamanho do Korban Pesach seja de acordo com a capacidade de participação, na refeição, de cada familiar. As nossas aspirações como povo de Deus só poderão ser atingidas quando cada um agir conforme a totalidade de sua capacidade.

"Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé." Gálatas 6:10

O Matza - O Pão Sem Fermento

Os desafios levantados por esta interpretação são ainda mais evidenciados em outro símbolo muito familiar, associado ao Korban Pesach: O Matza - O Pão Sem Fermento.

"Nela não comerás levedado; sete dias nela comerás pães ázimos, pão de aflição (porquanto apressadamente saíste da terra do Egito), para que te lembres do dia da tua saída da terra do Egito, todos os dias da tua vida." Deuteronômio 16:3

pão sem fermentoO Pão Sem Fermento - Símbolo da Redenção.

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O símblo do Matza (O Pão Sem Fermento), se visto apenas em sua superficialidade, pode parecer um tanto contraditório. O Matza foi estabelecido a partir da necessidade dos hebreus em deixar apressadamente o Egito, não havendo tempo suficiente para que a massa do pão "crescesse".

O Matza tornou-se símbolo do Êxodo, uma vez que Deus ordenou que o povo comesse o Cordeiro Pascal juntamente com o Pão Sem Fermento e com as ervas amargas. Assim, na cerimônia de Páscoa, há duas referências ao Matza, mas em perspectivas diferentes.

No início do cerimonial, o matza é chamado de "pão da aflição que os escravos hebreus comeram na terra do Egito", uma clara indicação de que o matza é símbolo da escravidão. Em um segundo momento, o matza é referenciado como o símbolo que emerge do momento da libertação do labor do Egito.

"Qual é a razão para se comer do pão sem fermento? Por que a massa que os hebreus prepararam não teve tempo suficiente para crescer, antes que o Santo dos Santos, abençoado seja, os libertasse e os redimisse."

O que então o matza representaria, escravidão ou liberdade?

O Pão Sem Fermento - O Corpo de Jesus

Matza representa tanto a escravidão quanto a liberdade, porque ele captura em si o momento de transição do estado de servidão para a libertação total do povo de Deus. Este símbolo, o pão sem fermento, nos relembra da potencial significância que está embebida naquele momento crucial da história dos hebreus.

Isto porque o Egito simboliza o pecado. O pão sem fermento, o matza, representa a transição da escravidão para a liberdade - O pão é o corpo de Jesus Cristo, partido da cruz, que nos trouxe da escravidão do reino das trevas, para a liberdade da sua preciosa luz.

"E, comendo eles, tomou Jesus pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo." Marcos 14:22

Jesus, uma vez tendo ceiado, ou seja, depois de haver participado dos cerimoniais do Seder Pesach, tomou aquele mesmo Pão Sem Fermento, que fazia parte da cerimônia da Páscoa, e deu o sentido verdadeiro do que o matza representava:

"E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim." 1 Coríntios 11:24

A Santa Ceia, é o repartir do pão, compartilhar, fala de comunhão com a grande família - o povo de Deus, povo de boas obras.

E finalmente examinamos a instrução, "Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor." Êxodo 12:11

Apesar de o povo de Deus só ter saído do Egito no dia seguinte, eles deveriam estar preparados para fazê-lo já desde a noite anterior. É uma passagem que fala de preparo e vigilância. Fala de estarmos prontos, esperando o evento futuro da redenção.

E é assim que devemos paticipar do Corpo e do Sangue do Senhor, participando hoje aqui neste mundo, mas como se fosse a véspera de ceiarmos com Ele, no amanhã, mas não mais aqui, e sim com Ele nas mansões celestiais e para todo o sempre.

Estai, pois, desde já preparados!



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